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O Lado Negro do VHF Paulista
Por PY2JF
João Roberto S. G. Ferreira
 
 

Ninguém pode negar que o radioamadorismo é um hobby que, quando praticado corretamente, abre portas para um mundo ilimitado de possibilidades. Se você é radioamador ou se interessa pelo assunto, provavelmente é uma pessoa movida pela curiosidade. Os Radioamadores, em geral, são pessoas interessadas em tecnologia, eletrônica, e o mais importante, em conhecer pessoas interessantes tanto para receber quanto para transmitir conhecimentos. Essa combinação costuma resultar em grandes e duradouras amizades.

Mas hoje quero chamar a atenção para o outro lado da moeda. O que acontece quando o radioamadorismo é mal feito, mal interpretado e mal freqüentado? Ele torna a vida do radioamador, e até mesmo a de sua família, miserável. Quando isso ocorre, e tem acorrido com freqüência no VHF Paulista, resulta em intrigas, ofensas, brigas, que às vezes, na melhor das hipóteses, acabam numa delegacia de polícia. Você acha que estou exagerando? Veja esse vídeo.

O VHF Paulista, mais precisamente num raio de mais ou menos uns 100Km da região de Campinas, está experimentando seus piores dias. Ele está literalmente no fundo do poço. Nas repetidoras temos portadoras, clandestinos que compram rádios em camelôs e as invadem, comportamentos inadequados, comercialização frequente de equipamentos de origem duvidosa, conversas que nada tem a ver com radioamadorismo e que mais paracem com conversas de buteco, pois muitas vezes os envolvidos estão visivelmente bêbados. A lista é interminável. Emfim, um comportamento que se espalha com a ajuda da cobertura de repetidoras de grande alcance contaminando cada dia mais os desavisados. Isso sem contar o péssimo exemplo aos novatos, que vão achar que esse comportamento é normal. E o mais curioso é que existem mantenedores que parecem não se incomodar que sua repetidora só propague lixo. Nos diretos, clandestinos dominam livremente para todo tipo de finalidade, principalmente comerciais. Enfim, uma vergonha. Não mostre a um amigo que ele vai fazer mau juizo de você. E por onde anda a fiscalização?

É nessa hora que muitos reavaliam se vale à pena se relacionar num ambiente desses. E os que desistem são sempre os bons radioamadores, pois os ruins se sentem em casa com esse ambiente. Esse comportamento vem denegrindo tanto a imagem do radioamadorismo que chegamos ao ponto de termos vergonha de dizer que somos radioamadores.

Mas afinal de contas, o que podemos fazer para resgatar nossa credibilidade e tentar melhorar a faixa do VHF, para quem sabe num futuro não tão distante, ela volte a ser um ambiente amigável onde fazemos amigos, não inimigos? Essa é uma pergunta de difícil resposta, mas existem pequenas coisas que podemos fazer para tentar dar início a essa empreitada. E nesse empreendimento, sugestões construtivas são bem vindas, porque se nós não nos preocuparmos em recuperar o VHF, quem vai se preocupar? A Anatel? Você deve estar brincando não é mesmo? A Anatel não fiscaliza nem os clandestinos que interferem nas comunicações dos aviões e podem causar tragédias, porque acha que ela vai se preocupar com radioamadores? Ou nós nos preocupamos com nossos interesses ou um dia vamos perder essa faixa para outros serviços por causa da má utilização. Uma faixa como a de VHF vale uma fortuna, e quanto mais desorganizada e confusa, mas fácil de explicar para a opinião pública uma eventual "desapropriação" da banda.

Esse é o primeiro de vários artigos que pretendo escrever, onde em cada um deles vou identificar um problema e sugerir ações corretivas. Claro que não sou o dono da verdade e essas ações são as que eu acho que poderão ajudar. Sou radioamador há 27 anos e acompanho o VHF desde 1981. Eu acompanhei o surgimento de muitas repetidoras e vi a ascensão e queda do que eu chamo do bom VHF. Por fim, por causa da eletrônica envolvida, me tornei mantenedor de repetidoras, o que me permitiu ter uma clara visão do árduo e custoso trabalho que só quem as mantém conhece. Portanto, se você fica irritado com portadoras, pode imaginar um mantenedor que gasta tempo e dinheiro vendo seu investimento ser desperdiçado de forma tão ingrata. Ninguém merece essa gente.

Vamos lá, cada artigo contará com um link no final para que possamos discutir a efetividade das medidas e trocarmos idéias de melhorias ou mesmo alternativas. Se todos participarem com suas idéias e sugestões, poderemos compilar um guia único e disponibilizá-lo à comunidade de radioamadores, e assim todos saem ganhando.

Clique aqui e dê sua opinião sobre essa iniciativa do CRAM

Embora eu esteja tentado em começar pelo assunto “Clandestinos”, já que tivemos dois casos recentes em nossas repetidoras, e um deles bem complexo, vou me conter e deixá-lo para o segundo artigo. Acredito que esse primeiro será bem mais valioso e atende as expectativas de muitos que tomaram conhecimento de projeto semelhante no passado.

Por um VHF melhor - Parte I - Portadoras - Seus dias estão contados


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