Uma das melhores características do radioamadorismo é a sua flexibilidade. Em outras palavras, nosso passatempo pode ser quase tudo que você quer que ele seja. Se você está procurando relaxamento, excitação ou um modo para expandir seus horizontes físicos e mentais, o radioamadorismo pode ser o caminho para isso.
São diversas as atividades típicas dos radioamadores que propiciam a satisfação dessas necessidades. Vamos a um resumo delas:
Net (ou rodadas)
Acontece quando um grupo de radioamadores passa a se encontrar regularmente em determinada freqüência e modo, para troca de mensagens próprias, a pedido de outros radioamadores ou de pessoas não radioamadoras (QTC), e também para bate-papos informais, troca de equipamentos, contar piadas, etc. É um ponto de encontro de pessoas que um dia já estiveram próximas fisicamente e hoje usam o rádio como meio de manutenção de uma velha e boa amizade;
Demonstrações públicas
São eventos nos quais os radioamadores e suas entidades representativas fazem apresentações abertas (em praças públicas) ou dirigida a um público específico (escolas, faculdades, igrejas, quartéis) com o objetivo de difundir o radioamadorismo, informar sobre suas características e serventia à população, incentivando os futuros colegas;
Redes de emergência
Quando algum desastre impede, ou dificulta, o funcionamento satisfatório dos serviços de telecomunicações, os radioamadores são o único meio seguro para substituí-las de forma emergencial, até que se restabeleça a normalidade;
Rádio-localização (ou caça à raposa)
É um jogo destinado a aprimorar os conhecimentos dos radioamadores na escuta, filtragem de sinais, navegação, montagem de pequenas antenas com grande capacidade de discriminação, e fôlego. Os organizadores do evento escondem um transmissor de baixa potência que emite sinais intermitentes e os caçadores tentam localizá-lo;
Contatos via satélite
Se você não sabia, fique sabendo agora - os radioamadores tem satélites à sua disposição, para uso por operadores que se dispõe a investimentos um pouco maiores. Os satélites de radioamadores funcionam como repetidoras;
Comunicações digitais
Nesse campo, os radioamadores se utilizam de microcomputadores para conversar de diversas formas: cw, rádio teletipo (rtty), fax, rádio pacote, SSTV e outros;
Reflexão Lunar (ou EME), Caudas de Meteoros ou Auroras
É a realização de contatos distantes utilizando-se como refletor dos sinais a lua, a cauda dos meteoros ou as auroras boreais;
Conteste (ou concurso)
É o momento em que o rádio-operador testa a sua capacidade operacional e mede o nível de aproveitamento dos recursos dos equipamentos de que dispõe;
DX
DX quer dizer distante e, de certa forma, que a estação com quem você está se comunicando está localizada, exceções à parte, em outros países, no estrangeiro. Podemos dizer que um contato DX começa com a vontade de saber até onde o sinal da nossa estação consegue chegar e com que qualidade, passa para a colocação de um alfinete num mapa, depois para a necessidade de se ter o cartão QSL confirmando esse contato, e termina com a orgulhosa obtenção de algum diploma.
Conquista de Diplomas
Diplomas são folhas de papel onde se certifica que uma estação de rádio conseguiu contatar determinada quantidade de estações localizadas em países, estados ou municípios, específicos ou em todo o planeta, em um determinado modo de operação ou em qualquer deles, ou mesmo quando se contata uma estação comemorativa. Alguns diplomas têm níveis e reservam, às estações que atingem as pontuações mais altas, locais de destaques. O diploma é a confirmação de que aquilo que o radioamador disse que fez realmente aconteceu. Os regulamentos dos diplomas oferecidos pela LABRE - Confederação estão nesta publicação.
Daqui a diante, nós vamos nos concentrar nessas três últimas atividades - CONTESTE, DX e DIPLOMAS. Para praticá-las, precisamos de algumas poucas coisas, que estão enumeradas abaixo e explicaremos em seguida:
1. A existência de propagação para longa distância;
2. Saber o modo correto de passar e receber a palavra;
3. Conhecer o código fonético, pelo menos o internacional
4. Dar a reportagem de sinal pelo sistema RST;
5. Usar umas poucas palavras no idioma inglês;
6. Ter uma lista de prefixos para saber que país está sendo contatado;
7. Registrar os contatos com a data/hora GMT (também conhecida como ZULU), que é o horário de Brasília + 3 horas;
8. Preencher e enviar o cartão QSL de acordo com a forma que vai ser utilizada para o envio/troca, ou seja, via LABRE ou direto pelo correio; e,
9. Conhecer o regulamento do conteste ou do diploma, preenchendo o respectivo LOG.
A propagação para longa distância, quando existe, ocorre de acordo com a faixa que vai ser utilizada. Nos 160, 80 e 40 metros ela vai do anoitecer até o amanhecer. Nas demais faixas do espectro de HF, ou seja, nos 30, 20, 17, 15, 12 e 10 metros ele varia durante as vinte e quatro horas do dia, tanto em intensidade como em direção.
Em fonia, o câmbio da palavra deve ser feito dizendo-se o indicativo de chamada da estação que vai falar e em seguida o da estação que está passando, ou passou, a palavra.
Além do Código Fonético Internacional estabelecido pela UIT , existem outros que devem ser também conhecidos, pois são utilizados por alguns operadores e você, se não os mantiver na memória, poderá se confundir quando ouvir alguém fazendo uso deles (os códigos fonéticos mais usados estão no ANEXO 1).
Quando você for dar uma reportagem de sinal, faça-o de maneira precisa e utilizando o Código RST (Reportagem, Sinal e Tom), disponível no ANEXO 2.
É possível manter contatos DX com muitos países usando apenas o nosso idioma. Na América do Sul, Central e Caribe, fora o Brasil, a maioria dos outros países fala o Espanhol. Na Europa, além, é lógico, de Portugal, temos facilidade de entendimento com a Espanha e há muitos portugueses espalhados pelo continente, notadamente na Bélgica e França. Na África existem alguns países que foram colônias portuguesas, como Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Açores, Madeira e Cabo Verde, ou foram ou ainda são da Espanha, como as Ilhas Canárias, de Ceuta e Melillia e Balearic. Na Ásia temos Macau, ex-colônia Portuguesa devolvida recentemente à China e, na Oceania, o Timor Leste.
Se for necessário o uso do idioma inglês, não se assuste. Mais adiante relacionamos as palavras e frases mais usadas e o seu significado na nossa lingua. Não tenha vergonha de errar ou pronunciar mal as palavras no idioma inglês, pois embora seja o mais utilizado ele não é dominado por todos os operadores que não têm origem nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido ou Austrália. Com a prática contínua do DX pelo uso das palavras contidas no texto “ALGUMAS PALAVRAS E TEXTOS EM PORTUGLÊS”, que você lerá mais adiante, você ficará tão bom de pronúncia que vai ser até elogiado.
Existem duas formas de se iniciar um contato DX - chamando geral DX (CQ DX, CQ DX, CQ DX, de PT2AA, por exemplo) ou respondendo a um chamado desse tipo (nunca se esqueça que CQ já quer dizer “chamado geral”, portanto, jamais diga CQ Geral!). Quando se quer direcionar o chamado para um determinado continente, área, estação ou país, basta fazer o chamado dizendo isso, ou seja, CQ DX Portugal, CQ DX Portugal, CQ DX Portugal, de PT2AA, por exemplo. A lista dos prefixos indicados pela UIT para cada país está no ANEXO 4 (visite http://www.itu.int/radiocIub/rr/aps42.htm).
Registrar os contatos em um “livro”, além de ser exigido pela Norma que regula o Radioamadorismo, é fundamental para quem faz DX. Tem gente lá fora que manda cartão QSL mesmo só tendo conseguido ouvi-lo e, não nos esqueçamos, contato para radioamador tem que ser bilateral, ou seja, as duas estações têm que ouvir uma à outra. Além disso, o livro de registros serve para você acompanhar a remessa e o recebimento dos cartões QSL. No ANEXO 5, sugerimos um formato de página para o seu livro de registros.
Depois de feito o contato e lançado no livro de registro, precisamos preencher e enviar o cartão QSL, o documento que melhor o confirma. A remessa do QSL pode ser feita via BURÔ (LABRE, no nosso caso), ou direto (pelos Correios). No cartão que for enviado através da LABRE anote, no verso, no canto superior direito e em letras grandes, o indicativo de chamada da estação que foi contatada ou o do QSL MANAGER (se o cartão for “trocado” através dele). Com isso você estará ajudando os colegas colaboradores da LABRE que separam os cartões por países, para depois empacotá-los e mandá-los para os Correios. Nas remessas que você fizer diretamente via Correios, não se esqueça de colocar no envelope, além do QSL, é lógico, também um envelope pronto para o outro colega te mandar o dele, bem como os IRC , se for o caso de alguma figurinha.
Os regulamentos dos diplomas e das competições podem ser obtidos junto às entidades ou pessoas que as patrocinam, via correio ou internet. Procure não participar deles sem conhecer pelo menos os detalhes relativos às informações que tem que ser trocadas em cada câmbio.
Na internet existem diversas páginas dedicadas ao radioamadorismo que abordam os temas acima, além daqueles outros. Se você acessa a WEB, experimente uma visita ao site do Rod Dinkins -AC6V ( http://www.ac6v.com ), que tem atalhos para acesso a centenas de páginas ligadas aos mais diversos assuntos radioamadorísticos. Para saber quais estações DX estão no AR, vá à página http://oh2aq.kolumbus.com/dxs/hfdx25.html . No Brasil; além da revista Eletrônica Popular, QSL e QTC Magazine, o QTC Falado da Confederação LABRE(4) reporta informações sobre esses assuntos.
Agora que você já sabe o básico, aqui vão algumas dicas para facilitar os seus contatos DX, tanto para a conquista de diplomas quanto para a participação em contestes:
1.Antes de começar algum chamado, nunca se esqueça de perguntar se a freqüência está em uso ou não, dizendo: “esta freqüência está ocupada?”, ou “is dis frêquenci in iúsi ?“, em “portuglês”.
2.Só responda a um chamado DX após ter anotado o indicativo de chamada da estação que chama, de forma completa.
3.Quando muitas estações estiverem chamando aquela com quem você quer falar, espere que ocorra um pequeno silêncio e faça a sua chamada reportando apenas as duas últimas letras do sufixo do seu indicativo de chamada. Se a outra estação conseguir te escutar com clareza, ela mandará que você complete o seu chamado (< seu sufixo > “complíti iór cal”). Aí, é só você passar o indicativo de chamada e a reportagem de sinal e pronto. Se você for perfeitamente ouvido, a outra estação dirá o seu indicativo de chamada e a reportagem de sinal da tua estação e, com isso, o contato estará concluído.
4.Não chame uma estação nos intervalos de câmbio, espere que ela pergunte “quem chama” — quiu ér zéde (QRZ).
5.Se uma estação está chamando em ordem de números, não conteste antes que chegue o do seu indicativo de chamada, no nosso caso de Brasília, Goiás, Tocantins e São Paulo, o número 2: “quíu ér zéde (QRZ) nâmbêr tchúl”.
6.Se o chamado for apenas para outro país ou continente que não o nosso, não o conteste.
7.Transmita, no máximo, as informações essenciais ao registro completo do contato: indicativo de chamada, nome do(a) operador(ora), cidade e RS(T). Em “portuglês”, após recebermos a palavra, diríamos: “mái nêimi is <seu nome>, de quiutiêiti is <sua cidade>, êndi ióur uríport is fáivi bái náini. Traduzindo para o português, teríamos dito à outra estação: “meu nome é<seu nome>, o QTH é <sua cidade>, e a sua reportagem de sinal é 5/9”.
8.Nos seguimentos de faixa direcionados para o DX, não fique batendo papo em português. Veja, no ANEXO 6, a segmentação de banda por modo de operação, determinada pela tradição e consenso, nos EUA, e aplicada pelos operadores “civilizados”.
Algumas palavras e textos em "Portuglês"
Palavras:
Português |
“Portuglês” |
CQ DX |
Ciquiu diéx |
1 |
Uám |
3 |
Truí |
5 |
Fáivi |
7 |
Sevem |
9 |
Náini |
/ |
Bái ou istrouque |
Nome |
Nêimi |
Como |
Láiqui |
73 |
Séventitri |
Seu / Sua |
Ióur |
De |
From |
2 |
Tchú |
4 |
Four |
6 |
Six |
8 |
Êiti |
0 |
zirou |
Meu |
Mái |
É |
Is |
obrigado |
sênquiu |
Quem chama? |
quiuérzédi |
|
|
Textos:
Chamado Geral:
“Ciquíu diéx, Ciquíu diéx, Ciquíu diéx, from” <seu indicativo de chamada> “istendbáí”.
Se alguém responder ao teu chamado e você não conseguir ouvir bem o indicativo dessa estação, pergunte:
“quiuérzédi diés, from <seu inditativo de chamada>?
Respondendo a quem te respondeu:
“<seu indicativo de chamada> from <indicativo de chamada da estação que te contestou>, mái nêimi is <seu nome>, mái quiutíêiti is Brasília, de quépital, êndi ióur uriport is <R> bái <S>. Séventitrí êndi gúdi diéx. <indicativo da estação contatada> from <seu indicativo de chamada>”.
Ao continuar fazendo DX, antes de fazer outro chamado completo tente apenas perguntar “quiuérzédi diéx, from <seu indicativo de chamada>?”. Se houver alguém aguardando oportunidade certamente se apresentará para o contato
Relação de Códigos Fonéticos
Na operação cotidiana de sua estação, o radioamador tem oportunidade de ouvir inúmeras maneiras de deletrear seu indicativo de chamada por parte de alguns colegas e, às vezes, inventadas por eles mesmos, esquecidos da ilegalidade de tal atitude.
Veja, a seguir, as formas mais comuns. O da ICAO, é o indicado pela Norma 31/94 para quaisquer contatos (domésticos ou não). Os de peças de rádio e o geográfico são permitidos, pela mesma Norma, apenas nos contatos domésticos. O de nomes é utilizado por alguns radioamadores norte-americanos em contatos locais.
LETRAS |
INTERNACIONAL
(ICAO) |
RÁDIO |
GEOGRÁFICO |
AMERICANO |
A |
Alpha |
Antena |
América |
Adam |
B |
Bravo |
Bateria |
Brasil |
Baker |
C |
Charlei |
Condensador |
Canadá |
Charlei |
D |
Delta |
Detetor |
Dinamarca |
David |
E |
Echo |
Estática |
Europa |
Edward |
F |
Foxtrot |
Filamento |
França |
Frank |
G |
Golf |
Grade |
Guatemala |
George |
H |
Hotel |
Henry |
Holanda |
Henry |
I |
India |
Intensidade |
Itália |
Ida |
J |
Juliette |
Joule |
Japão |
John |
K |
Kilo |
Kilowatt |
Kenya |
King |
L |
Lima |
Lâmpada |
Londres |
Lewis |
M |
Mike |
Manipulador |
México |
Mary |
N |
November |
Negativo |
Noruega |
Nancy |
O |
Oscar |
Onda |
Oceania |
Otto |
P |
Papa |
Placa |
Portugal |
Peter |
Q |
Quebec |
Quadro |
Quebec |
Quenn |
R |
Romeo |
Rádio |
Roma |
Robert |
S |
Sierra |
Sintonia |
Santiago |
Susan |
T |
Tango |
Terra |
Toronto |
Thomas |
U |
Uniform |
Unidade |
Uruguai |
Union |
V |
Victor |
Válvula |
Venezuela |
Victor |
W |
Whiskey |
Watt |
Washington |
William |
X |
X-Ray |
Xadrez |
Xingu |
X-Ray |
Y |
Yankee |
Ypiranga |
Yucatan |
Young |
Z |
Zulo |
Zero |
Zanzibar |
Zebra |
A Reportagem e a Legibilidade dos Sinais
É importante que todo radioamador, logo no início do seu QSO com outro, dê a reportagem numérica dos sinais. Essa prática possibilita antecipar o conhecimento das condições em que se realizará o contato. Essa reportagem deve ser honesta, sem “confete”.
Internacionalmente, essa reportagem é dada por 2 números, em fonia, e 3, em CW. São conhecidas como RS(T). A letra “R” corresponde à legibilidade, a “S” à intensidade e a “T” (somente em CW) ao tom. Veja, a seguir, o que representa cada número, na sua respectiva posição:
Na legibilidade (letra “R”) a numeração vai de 1 a 5:
1 - não legível;
2 - legível ocasionalmente; ouvido uma ou outra palavra;
3 - legível com muita dificuldade;
4 - legível praticamente sem dificuldade;
5 - legível perfeitamente.
Na intensidade (letra “S”) a numeração vai de 1 a 9, sendo:
1 - sinais fraquíssimos, apenas perceptíveis;
2 - sinais muito fracos;
3 - sinais fracos;
4 - sinais razoáveis;
5 - sinais quase bons;
6 - sinais bons;
7 - sinais moderadamente fortes;
8 - sinais fortes;
9 - sinais extremamente fortes.
Em CW (telegrafia) acrescenta-se a letra “T” (correspondente à qualidade e pureza do tom – nota musical) cuja numeração vai de 1 a 9:
1 - nota extremamente áspera e sibilante;
2 - nota muito áspera, com extremo a.c., sem traços de musicalidade;
3 - nota com a.c. forte, ligeiramente musical;
4 - nota com bastante a.c., moderadamente musical;
5 - nota musicalmente modulada;
6 - nota modulada, traço ligeiro de apito;
7 - nota quase d.c., com ripple suave;
8 - nota d.c., pequeno vestígio de ripple;
9 - nota d.c. pura, musical.
Em CW ainda são usados sufixos após as letras “RST”, tais como:
x - que quer dizer: sinais puros como cristal;
c - que quer dizer: sinais com “piados”; e,
k - que quer dizer: sinais com “clique”.
Exemplificando - quando se recebe uma reportagem RST-559-X, temos:
R - corresponde ao primeiro número 5, que quer dizer legibilidade perfeita;
S - corresponde ao segundo número 5, que quer dizer boa intensidade dos sinais;
T - corresponde ao número 9, que quer dizer tonalidade dos sinais extremamente fortes, puras e musicais; e,
X - correspondendo a sinais puros como cristal.
Isso quer dizer, em suma: legibilidade perfeita, boa intensidade de sinais, tonalidade extremamente forte e musical, e sinais puros como cristal.
Convém não esquecer que, em telegrafia, um sinal poderá possuir um tom 9 com “piado” e “clique” e ao mesmo tempo ser musical. Outras vezes, o sinal poderá ser forte e puro, porém pouco legível, por excesso de velocidade.
No entanto, se a reportagem vier acompanhada das letras QRN, por isso só essas letras dizem tudo.
Em fonia, quando os sinais se apresentam extremamente fortes, passando de 9, portanto, costuma-se dizer que os sinais são 9 mais tantos Db, de acordo com a intensidade apresentada pelo S- meter (medidos de sinais) do seu receptor. Ao darem reportagem dessa forma, acrescentam-se ao sufixo a palavra plus , que em inglês, quer dizer sinal de mais (o sinal da adição “+”). Exemplificando, uma reportagem 59+10Db, significa que:
a legibilidade é 5 (legibilidade perfeita);
a intensidade dos sinais é 9 (extremamente fortes); e,
o sinal da estação com a qual você está contactando faz com que o essímetro (ou S-meter ) do seu rádio alcance o valor de 10Db acima do número 9 que está na escala dele.
Nota: No código “Q” as letras “QRN” significam perturbação por estática.
Código de prática operacional voluntária dos 6 metros
Versão LABRE/SP, v1.2, Outubro de 2000; para o Estado de São Paulo, Brasil.
Emitido e apoiado juntamente por:
Esta recomendação, originalmente e internacionalmente conhecida como " Voluntary Operating Code of Practice" , foi publicada pelo UKSMG com participação até o momento da JAROC , HARDXA , SIXITALIA, DRAA e LABRE-SP . Nesta linha esperamos que muitas outras Sociedades radioamadorísticas de todo o mundo busquem adotar estas recomendações ao longo do tempo, adaptando-as às suas regulamentações locais. O Código é dirigido para todos os radioamadores operadores dos 6 metros, na esperança que a sua compreensão possa tornar o uso espectral mais produtivo e divertido para todos.
Agora que o uso da banda dos seis metros está potencializado com as altas de propagação do ciclo solar 23, é muito importante que a maneira que cada um de nós utilizamos esta banda não prejudique outros amigos radioamadores que operem nos 6 metros, deteriorando a habilidade de todos trabalharem uma estação DX. Por favor, leia estas recomendações cuidadosamente e tente adotá-las, as respeitando diariamente. Do contrário, sua prática operacional irá trazer má reputação para a sua estação e pessoa.
Você automaticamente representa seu país toda vez que transmite. Caso não respeite as normas e convenções aceitas internacionalmente você estará, efetivamente, trazendo uma má impressão até mesmo para os próprios companheiros radioamadores do seu país!
6m como uma banda para DX:
Os 6 metros é uma banda de DX assim como qualquer outra banda radioamadora de HF. Assim como seus operadores, deve ser tratada com respeito e tolerância.
PLANO de banda local:
Sempre respeite o seu plano de banda da sua região, país ou área. As alocações podem ter variações de país para país. Nas Américas isso é regido pela IARU(5) Region II . Em São Paulo , tal como em todo Brasil , as alocações são gerenciadas com força de lei pela ANATEL (6). Seguimos, portanto, de acordo com a Norma 31/94, o seguinte plano espectral para 6 metros:
50.000 a 50.100 MHz - CW, emissões de sinais piloto, reflexão lunar;
50.100 a 50.600 MHz - CW e SSB;
50.600 a 51.000 MHz - Emissões Digitais;
51.000 a 51.100 MHz - CW e fonia;
51.100 a 52.000 MHz - Todos os tipos de emissão, prioridade para CW e Fonia;
52.000 a 54.000 MHz - Repetidoras, CW, Fonia, prioridade para FM.
QSOs Locais:
Não cause interferência a outros operadores de seis metros com QSOs locais dentro do segmento de DX, correspondido entre 50.100 MHz e 50.150 MHz. São recomentados QSOs locais em frequências acima de 50.200 MHz , onde a interferência poderá ser minimizada.
Aperinda a ouvir:
O verdadeiro Dxer de 6 metros gasta aproximadamente 5% do seu tempo transmitindo, enquanto 95% do tempo restante é gasto escutando e identificando as variações de propagação. Aprender a reconhecer as características dos tipos de propagação, notando quando a banda está dando sinais de uma abertura é muito mais eficiente do que apenas chamar CQ DX sem parar.
50.100 - 50.150 Janela de DX:
A "janela" de DX é um conceito amplamente aceito e deve, em princípio , ser utilizado apenas para DX intercontinentais , especialmente na freqüência de chamada 50.110 MHz. A definição em no que constitui uma estação ‘DX' naturalmente fica a cargo de cada operador, especialmente quando uma estação - dentro do seu próprio continente - constitui um novo país! Nós solicitamos que vocês pensem cuidadosamente antes de desenvolver qualquer QSO entre sul-americanos dentro da janela de DX para não perder grandes oportunidades de contatos inter-continentais, "ocultados" pelo QRM. Isto é especialmente importante em períodos de múltiplos saltos com Es ou propagação pela camada F2 .
Como o segmento de DX é altamente ocupado, sempre escute antes de chamar e sempre questione se a freqüência está em uso. Indicamos a mesma prática inclusive para qualquer potencial emissão em qualquer freqüência de amador. Apenas porque você não escuta nada, isso não significa que a freqüência não está ocupada ou mesmo em uso por alguma rara estação de DX.
POR FAVOR, SEJA COMPREENSIVO e evite QSOs locais no segmento de DX o máximo possível.
Nota: Algumas estações européias podem transmitir em seis metros apenas acima de 50.200 MHz. Portanto mesmo nestas freqüências preste atenção para as atividades Dxistas.
50.110 Frequência Internacional de Chamada:
A freqüência internacional de chamada é 50.110MHz. Ela deve ser utilizada para DXs de longa distância, preferencialmente intercontinentais. De forma alguma utilize a freqüência de chamada para QSOs continentais, mesmo se por um alguns poucos minutos.
Não promova ou encoraje pile-ups em 50.110:
Se você conseguiu uma resposta ao seu CQ, assegure-se de fazer um QSY. Se uma estação local retornar sua chamada, mova-se rapidamente para uma freqüência desocupada fora da janela de DX ou mesmo acima de 50.200 Mhz . Por fim, não utilize a freqüência de chamada para sintonizar seus equipamentos.
50.110 Chamando CQ:
Escutar é a primeira regra para trabalhar estações raras de DX em 6 metros. Portanto seja prudente antes de chamar CQ em 50110. Seríamos estúpidos ao aconselharmos você a não fazer CQs mas por favor lembre-se que 50110 é uma freqüência compartilhada e sua reputação estará em questão se você insistir em chamar CQ incessantemente, a cada minuto do dia, mesmo se você especificar "CQ DX only" ou "CQ outside South America only".
O CQ ocasional é benéfico quando ele pode descobrir uma abertura não conhecida. Se você estiver escutando intensamente por sinais débeis exóticos por horas em 50.110 e um CQ aparecer, ao invés de falar rudemente para ele sair, peça gentilmente para ele fazer QSY e diga a ele o porquê ou o que você esta ouvindo e, por favor, decline seu indicativo . Claro, isto se aplica a toda e qualquer outra freqüência em 6 metros. A grande maioria dos operadores é compreensiva e agirão assim – provavelmente porque eles próprios gostariam de trabalhar a estação DX. Da mesma forma se você estiver ocupando 50.100 e alguém pedir gentilmente para você fazer QSY e lhe dar uma razão para isto, faça desta forma sem iniciar uma discussão. Lembre-se que você esta compartilhando este recurso com milhares de outros operadores.
Se você realmente precisa chamar CQ em 50.110, pense duas vezes, escute por 5 minutos, cruze as pernas, conte até 100 e, se o desejo incontrolável ainda persistir, vá em frente e chame, mas seja rápido e claro, evitando CQs intermináveis. Depois não esqueça de fazer QSY para completar um QSO.
Técnicas de QSO:
Muitos operadores não aproveitam o tempo para aprender como fazer DX. Desenvolvem técnicas e "se atiram" ao DX. Esta não é a forma recomendável já que as propagações típicas em 6 metros não permitem a perda de tempo durante os contatos devido a natureza da propagação da banda (limítrofe entre HF/VHF). Aberturas podem ser muito rápidas e as estações de DX querem fazer o maior número de contatos possível durante esta curta abertura.
No contato seja breve e direto ao assunto já que existem outras estações que estão aguardando a oportunidade de fazerem o QSO DXista. Não perca tempo trocando informações desnecessárias como nomes, QTH, equipamento, clima e assim por diante. Evite o supérfulo , apenas troque seus indicativos e confirme suas reportagens de sinal. Permita que outras estações façam o contato com a estação de DX. Evite transmitir todas as informações extras, a não ser que seja solicitado. Existem poucas oportunidades para trabalhar algumas estações e se suas práticas operacionais evitam que outros possam fazer contato com esta estação, estes DXistas irão lembrar-se por muito tempo que você foi responsável por isto.
Operação em ‘Pile-Up':
Trabalhar e "quebrar" pile-ups DXistas pode ser uma experiência frustrante em 6 metros como em HF. Boas maneiras e boas técnicas operacionais são muito importantes. Você deve ouvir a estação DX cuidadosamente e não responder se ela estiver se dirigindo a algum prefixo ou a algum país em especial que não seja o seu. Você deve retornar a chamada sempre com seu indicativo completo, rapidamente e uma única vez. Se você não estiver ouvindo não chame a estação DX.
Se um QSO foi interrompido devido ao QSB ou QRM, não tente completá-lo indefinidamente. Use seu bom senso e tente chamar mais tarde ou em outra oportunidade. É certo que outros estarão ouvindo bem e poderão completar o QSO. Siga a estação DX e não chame de volta imediatamente se ela estiver trabalhando outra estação. A mensagem é simples: tente evitar transmitir em cima da estação DX. Isto não lhe trará nenhum benefício e deixará seus amigos Dxers aborrecidos.
Operação em Split:
Quando uma estação Dxista cria um pile-up muito grande, com todas as estações chamando na sua própria freqüência de operação ( simplex ), isto cria problemas terríveis de QRM para todos. Sob estas circunstancias é recomendado que a estação DX use operação split ; isto é, transmita em uma freqüência e receba em um trecho acima da freqüência usada para sua transmissão. Este modo de operação aumenta muito a taxa de contatos realizados pela estação DX.
Entretanto a operação split em 6 metros pode causar também uma tremenda interferência em outros DXistas que, obviamente não por sua culpa, estariam operando simplex no mesmo trecho que a operação split da estação DX anterior. Para minimizar esta interferência é pois recomendado um máximo split de 10 KHz (dez kilohertz).
QSOs Duplicados:
É sempre tentador chamar uma estação rara de DX toda vez que você a ouve, mesmo se você a trabalhou anteriormente, mas isto deve ser evitado pois você poderia estar tirando a oportunidade da estação DX trabalhar uma nova estação e dar a ela talvez um contato com um país diferente. Por outro lado, com bom senso, uma rápida resposta pode ser útil se ninguém está retornando para a estação DX, demonstrando que a propagação existe naquele momento.
Operação emCW:
CW é provavelmente o principal modo utilizado em 6 metros devido a natureza usualmente débil das aberturas de DX. Não chame uma estação DX de CW em SSB, pois ele pode não ser capaz de ouvi-lo e você poderá estar causando uma interferência severa aos outros DXers em CW que estão tentando contatar a estação. O contrário também é verdadeiro, se você não consegue "furar" um pile-up em SSB não tente fazê-lo em CW !
QSOs Em FM:
Todas transmissões internacionais em FM são feitas acima de 50.300 MHz pela razão óbvia do FM ser um modo de banda larga que elimina os débeis sinais de DX. Não existe razão plausível para transmitir abaixo dos 50.300 MHz já que existe uma grande porção de espectro alocado para este modo. A Norma brasileira permite a transmissão em FM apenas a partir de 51 MHz . Consulte seu Plano de faixas local.
Outros modos :
Existem também outros populares modos de operação. Não transmita em AM ou SSTV ou Rádio Pacote entre 50.100 e 50.250 MHz. A maior parte das operações DXistas em Rádio Pacote é desenvolvido acima de 50.700 MHz. Consulte o Plano de Faixas local a indicada alocação para os diversos modos.
Nota: Este código poderá ser atualizado pelo UKSMG, HARDXA, JAROC, SIXITALIA, DRAA e LABRE-SP para refletir as condições de licenciamento e práticas operacionais de suas respectivas áreas.
1) Greenwich Mean Time, também conhecido como UTC - Coordinated Universal Time
(2) International Telecommunication Union - http://www.itu.int/ars/
(3) Cupom de Resposta Internacional – É trocado por selos no país de destino.
(4) Veja, na página da Confederação na Internet, os dias e horários em que ocorre.
(5) International Amateur Radio Union - http://www.iaru.org/
(6) Agência Nacional de Telecomunicações - http://www.anatel.gov.br |